Cultura pop: a evolução das narrativas para meninas

Tempo de leitura: 3 min

Escrito por mateu
em março 15, 2023

As narrativas voltadas para meninas, sejam filmes, séries ou livros, no passado tinham o foco em conquistar garotos. O enredo era mais ou menos o mesmo, uma princesa esperando pelo seu príncipe ou uma adolescente que mudava radicalmente após se apaixonar pelo cara popular da escola.

Hoje esse conteúdo para meninas está mudando. Nada de ficar parada na torre à espera de ser salva. Inclusive, as princesas da Disney já estão “salvando a si mesmas” e se colocando como protagonistas de suas próprias vidas.

Isso significa que as histórias de amor já não existem? Errado, elas estão presentes, mas já não há aquela pressão de que a mocinha só será feliz se encontrar o amor de sua vida.

A mudança nos desenhos e quadrinhos infantis

Os desenhos mais antigos apresentavam princesas frágeis, inocentes e às vezes até bobinhas. Elas estavam sempre sonhando com o dia em que se casariam e encontrariam seu príncipe encantado.

Mesmo nos gibis, como a Turma da Mônica, havia essa ideia. Além disso, quando os protagonistas eram crianças, existia aquele “Clube da Lulu e do Bolinha”, ou seja, meninas não se misturavam com meninos.

E como isso também mudou nos filmes/séries adolescentes

Os filmes e séries voltados para o público adolescente também tiveram que adaptar suas narrativas para a atualidade. Se você pegar um filme mais antigo, como “Easy A” ou o famoso “Meninas Malvadas”, verá que existe um certo incentivo para a rivalidade feminina.

A história seguia mais ou menos o mesmo roteiro. Uma protagonista que não se sentia bonita ou boa o suficiente e acabava competindo com uma vilã superpopular da escola. O objetivo? Chamar a atenção do galã, também popular, que por algum motivo passava a se interessar pela mocinha menos conhecida.

Outro detalhe era tratar a traição com normalidade. O personagem masculino traía e era sempre perdoado, seu ato tido como tipicamente dos homens e uma obrigação indireta da mocinha de sempre aceitá-lo de volta.

Agora o foco mudou. Ainda é falado sobre bullying, mas deixando claro que o comportamento da vilã não é correto. Além disso, nada de competição entre mulheres, a sororidade está muito em alta. 

Rolou traição? As garotas não acham nada bonito e não se sentem mais obrigadas a reatar o relacionamento na história. Muito pelo contrário, é deixado claro o quanto o comportamento daquele personagem não é legal e não deve ser incentivado.

Personagens mais reais e a autoaceitação

Seja nos desenhos, nos gibis, nos livros ou no audiovisual, as narrativas antigas focavam em criar uma personagem quase perfeita. Por mais que não se achasse bonita ou tivesse defeitos, a protagonista sempre conseguia mudar e se tornar incrível.

O motivo da mudança também era sempre o mesmo. Quantas vezes a mocinha não mudava apenas para conquistar o mocinho? Que o diga Sandy, a famosa protagonista do musical adolescente “Grease”.

Atualmente, nada de mudança radical por causa de um homem. Se a mocinha muda, é porque ela quis, por enxergar que isso pode ser positivo para ela. Ou seja, o foco está na autoaceitação, no gostar de si mesma e aprender a lidar com suas qualidades e defeitos.

Um bom exemplo se encontra no filme nacional “Confissões de uma adolescente excluída”, inspirado no livro com o mesmo nome, de Thalita Rebouças. Nele, Tetê, uma jovem que acaba de entrar no ensino médio, com a autoestima baixíssima, vai aprender a se amar e lidar de forma positiva com a opinião alheia. 

A literatura segue no mesmo caminho

Nos livros o caminho é o mesmo. As narrativas antigas voltadas para crianças e adolescentes traziam a princesa que precisava de um herói ou a adolescente que só seria feliz com um namorado. 

Isso vem mudando e já se encontram muitas heroínas sem um par romântico, que mais do que salvarem a si mesmas, mostram estarem muito bem sozinhas. Sem contar a abertura para falar sobre outras orientações sexuais como a homossexualidade e a assexualidade — ao menos na literatura para adolescentes.

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