Por que as big techs estão demitindo em massa os seus funcionários?

Tempo de leitura: 8 min

Escrito por gabriel
em março 31, 2023

As big techs são algumas das maiores e mais influentes empresas do mundo moderno. Donas dos principais meios de comunicação e tecnologia, elas ditam tendências, influenciam o comportamento dos consumidores e movimentam bilhões de dólares.

Entretanto, isso não é suficiente para blindá-las de crises e instabilidades. A pandemia do Covid-19 e alterações no cenário econômico americano foram a bola da vez.

Entenda quem são essas empresas, qual o seu impacto no mercado e como os processos de demissão em massa ocorrem, influenciando o mercado de trabalho, a economia e as próprias empresas.

O que são as big techs?

As big techs são um grupo seleto de empresas que dominam a indústria de tecnologia e têm uma influência significativa em nossas vidas cotidianas. Entre elas estão empresas como Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft.

Essas empresas se desenvolveram através de anos de inovação e aprimoramento de produtos e serviços, o que lhes permitiu criar e manter uma base de usuários fiéis e expandir seus negócios para novas áreas. 

Muitas delas também têm uma forte presença em termos de capital e recursos financeiros, o que lhes permite investir em novos projetos e aquisições para expandir ainda mais suas operações.

É comum que elas invistam em empresas e projetos paralelos, fora de seus nichos, como um sistema retaguarda, para diversificar sua área de atuação e garantir mais estabilidade.

As big techs desempenham um papel importante em nossas vidas cotidianas, oferecendo uma ampla gama de serviços que se tornaram parte integrante do nosso dia a dia. 

Elas estão cada vez mais inseridas em áreas como a inteligência artificial, a Internet das coisas (IoT) e a tecnologia de veículos autônomos, o que sugere que seu papel em nosso cotidiano só vai continuar a crescer nos próximos anos.

Qual a importância dessas empresas?

As big techs se tornaram um elemento fundamental do mundo moderno, oferecendo uma grande quantidade de serviços e produtos que transformaram a maneira como interagimos com a tecnologia. 

Elas têm um papel fundamental na criação de empregos e no fomento ao empreendedorismo, uma vez que fornecem serviços que ajudam a conectar consumidores e fornecedores, além de criar oportunidades para novos negócios. 

Essas empresas têm grande influência na área de contabilidade fiscal e tributária, por exemplo, garantindo que os impostos sejam pagos corretamente e ajudando a manter a integridade do sistema financeiro global.

Já os investimentos em inteligência artificial, robótica e biotecnologia estão levando a avanços significativos nas áreas da saúde e da ciência, permitindo que os pesquisadores trabalhem com dados e recursos que anteriormente não eram acessíveis.

A influência das big techs não para por aí. Elas têm um papel importante na comunicação moderna, criando plataformas e serviços que nos permitem nos conectar com pessoas em todo o mundo, independentemente da distância física. 

Por que as empresas fazem demissões em massa?

Demissão em massa é um termo utilizado para descrever o processo de dispensa simultânea de um grande número de funcionários de uma empresa. 

As empresas podem buscar alternativas, como a realocação de funcionários em outras áreas ou a oferta de pacotes de demissão voluntária, mas, em situações mais extremas, as demissões podem ser inevitáveis.

É importante destacar casos assim não abrem brechas para burlar os direitos dos trabalhadores. O cálculo de décimo terceiro, por exemplo, é garantido por lei, e deve ser feito e pago a todos os funcionários devidos, assim como outros direitos e benefícios.

Existem várias razões pelas quais as empresas podem optar por realizar demissões em massa. 

Uma das razões mais comuns é a necessidade de cortar custos para se manter competitivo em um mercado cada vez mais acirrado. Um momento de reestruturação pode exigir a eliminação de funções redundantes ou ajuste da equipe às novas demandas do mercado.

Uma empresa de interfone, por exemplo, pode ser afetada por demissões em massa, seja ela quem realiza as demissões ou quem sofre as consequências de mercado das demissões de outras instituições. 

O cenário atual não é o primeiro caso de demissão em massa da história. Alguns exemplos recentes podem nos ajudar a entender como o processo ocorre, e seus motivadores e consequências.

Kodak, 2012

Em 2012, a Eastman Kodak Company pediu falência devido a dificuldades financeiras. A empresa foi uma das pioneiras na indústria fotográfica, fundada em 1888 e se tornando uma das marcas mais icônicas do mundo. 

Porém, com as dificuldades para se adaptar às mudanças tecnológicas que ocorreram na indústria, a Kodak perdeu espaço no mercado para concorrentes que souberam aproveitar as novas tendências e inovações, como a Canon e a Nikon. 

Problemas relacionados à gestão e finanças culminaram na demissão em massa de funcionários e no fechamento de fábricas, consequência da necessidade da empresa de reduzir custos e se reestruturar financeiramente.

Hoje, a Kodak ainda existe, e se concentrou em áreas de atuação específicas, como impressão e soluções para empresas, com o fornecimento de materiais para um curso de PGR e outros tipos de treinamentos e especializações dos funcionários, por exemplo. 

Crises sociais, políticas e econômicas

As demissões em massa não são um fenômeno contemporâneo. Há vários exemplos de demissões em massa que ocorreram ao longo da história em diferentes setores econômicos, como:

  • Grande Depressão (1929-1939);
  • Crise do petróleo (1973-1974);
  • Queda do Muro de Berlim (1989-1990);
  • Crise financeira global (2008-2009).

A Grande Depressão foi um período de grave crise econômica que afetou a maior parte do mundo ocidental na década de 1930. 

Muitas empresas foram forçadas a demitir grandes quantidades de trabalhadores devido à queda na demanda e às dificuldades financeiras. O desemprego atingiu níveis historicamente altos, chegando a 25% nos Estados Unidos. 

Pouco depois, a crise do petróleo, que foi causada pelo embargo de petróleo da OPEP, resultou em uma recessão global e levou muitas empresas a demitir trabalhadores. A indústria automobilística e a indústria aeroespacial foram particularmente afetadas. 

Grandes movimentos sociais e políticos também afetam as empresas. A queda do Muro de Berlim e a reunificação alemã levaram à privatização e fechamento de muitas empresas estatais, o que resultou em uma grande quantidade de demissões em massa. 

Cenário pós-pandemia para as big-techs

A crise atual é gerada por outro tipo de fenômeno: uma pandemia mundial. Com a mudança de comportamento do público, que foi forçado a adotar o digital para todas as interações interpessoais por quase dois anos, o mercado da tecnologia teve um boom de crescimento.

Do agendamento de inspeção de caldeiras a aulas de pré-escola, todas as áreas da vida precisaram ser adaptadas para a nova realidade, que, segundo previsões, poderia ser permanente.

Esse movimento migratório influenciou a contratação de funcionários, investimentos em novos setores, lançamento de novos produtos e tecnologias, entre diversas outras apostas feitas pelas grandes líderes do mercado tecnológico.

Com a volta das atividades presenciais, muitos recursos que haviam sido adotados se tornaram quase obsoletos. Além disso, as empresas diminuíram os investimentos em publicidade online, que representa boa parte dos rendimentos das big techs.

Em dezembro de 2022, em nota, Mark Zuckerberg, fundador do Facebook e CEO da Meta, admitiu a culpa pelo erro de cálculo influenciado por esses fatores. Esse erro resultaria na demissão de mais de 11 mil funcionários, 13% da força de trabalho da empresa.

A crise política na Europa por conta das guerras também é um fator importante para a desaceleração econômica.

Somam-se ao anúncio de Zuckerberg, os comunicados feitos pela Alphabet, gestora do Google e pela Microsoft, que fizeram cortes de 12 mil cargos (6% da força de trabalho) e 10 mil empregos, respectivamente.

A Meta, a Alphabet e a Microsoft não são as únicas empresas nessa onda de demissões, e é possível que novos anúncios sejam feitos, agravando ainda mais a situação do mercado tecnológico.

Impacto na economia mundial

As demissões por parte das big techs têm um grande impacto na economia mundial. Além do impacto direto na vida dos trabalhadores afetados, as demissões em massa podem ter efeitos em cascata em diversos setores da economia.

Com menos pessoas empregadas, o consumo é afetado, o que pode impactar negativamente setores como varejo e serviços, por exemplo. 

Outro fator importante é que as big techs costumam ser grandes contribuintes fiscais e tributários, especialmente em países onde essas empresas têm forte presença. 

Com a redução de funcionários, as empresas podem gerar menos receita e, consequentemente, pagar menos impostos. Isso afeta as finanças públicas e reduz a capacidade do Estado de investir em setores como infraestrutura e programas sociais.

Mesmo setores que não estão diretamente relacionados à tecnologia, como a indústria de corte e dobra de chapas de aço, podem ser afetados pelas demissões em massa, especialmente se essas empresas tiverem uma cadeia produtiva complexa e interconectada.

Quais as consequências para as empresas?

As big techs podem enfrentar uma série de consequências em decorrência das demissões em massa, que vão desde a perda de talentos até o impacto na reputação da marca.

Uma das principais consequências é a perda de capital humano e de conhecimento especializado. As big techs são conhecidas por terem equipes altamente qualificadas e diversificadas, e a demissão em massa gera perda de profissionais capacitados. 

Além disso, as demissões podem afetar a imagem e a reputação da marca, especialmente se a empresa for vista como insensível às necessidades e preocupações dos funcionários. Isso afeta a percepção dos clientes em relação à empresa e os resultados financeiros.

As demissões em massa também podem afetar a cadeia produtiva da empresa. Se as big techs trabalham com fornecedores de tarugos de bronze, por exemplo, a redução na produção e nas vendas pode afetar diretamente a demanda desses fornecedores.

Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.

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